O Compás como fundamento da liberdade na dança
O batimento cardíaco do Flamenco não é um compasso simples, mas sim uma estrutura rítmica complexa: o Compás. Para ti, enquanto bailarino a solo, este padrão cíclico é a estrutura organizadora na qual te podes mover livremente. Ao contrário da música pop ocidental, que se baseia maioritariamente num compasso 4/4 reto, os estilos tradicionais (Palos) utilizam frequentemente um fascinante ciclo de 12 tempos. Este ritmo não é apenas ouvido, mas ativamente criado: o palmas na dança a solo, as chamadas Palmas, impulsionam o bailarino. Distinguem-se as Palmas sordas, mais graves, produzidas com as palmas das mãos em concha para não abafar o canto, e as Palmas secas, mais agudas e estaladiças, utilizadas em passagens rápidas e momentos de clímax. Quem quiser reconhecer o compasso tem de aprender a ler estes sinais rítmicos das mãos e dos pés como um mapa musical.
Da seriedade contida à êxtase explosiva
Dois dos Palos mais importantes ilustram como a estrutura da música flamenco une a dança e as emoções. A Soleá é considerada a mãe do Flamenco: é lenta, melancólica e extremamente solene. Aqui, enquanto bailarino, tens muito espaço para improvisar entre os acentos pesados do ciclo de 12 tempos com movimentos expressivos de braços (Braceo). No outro extremo do espectro encontra-se a Bulería. Esta música de dança bulerías, extremamente rápida e fogosa, utiliza a mesma estrutura de 12 tempos, mas leva o ritmo ao limite do possível. Na Bulería, a improvisação é atrevida, dinâmica e frequentemente marcada por breves momentos de humor. A transição entre estas dinâmicas exige uma presença absoluta: o bailarino reage à velocidade da luz às mudanças de ritmo da guitarra (Falsetas) e ao canto (Cante) para colocar o seu próprio trabalho de pés (Zapateado) exatamente no ponto certo.







